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"Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês." 1 Pedro 3:15

As sete palavras de Cristo na cruz (V)

V. “Tenho sede!”

As sete palavras de Cristo na cruz não foram registradas, todas elas, pelos quatro evangelistas. Mateus e Marcos registraram apenas uma e a mesma palavra, a quarta: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Lucas anotou a primeira, a segunda e a sétima, respectivamente: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”, e “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. João registrou a terceira, a quinta e a sexta palavras: “Mulher, eis aí o teu filho…”, “Tenho sede”, e “Está consumado”.

Jesus disse as três primeiras palavras durante as três primeiras horas de sua crucificação, ou seja, entre nove e doze horas; as outras quatro frases, ele as pronunciou numa rápida sucessão, nos momentos finais de sua agonia.

1. Jesus cumpre a Escritura.

Em João 19.28  lemos o seguinte:

“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!”

“Depois” de que? O contexto imediato faz-nos pensar que Jesus proferiu esta palavra logo depois de ter dito à sua mãe: “Eis aí teu filho…” (Jo 19.26-27). Entretanto, como vimos, Mateus e Marcos contam  que  “desde a hora sexta até à hora nona houve trevas sobre toda a terra”, e  “por volta da hora nona,  clamou Jesus em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste.” (Mt 27.45-46). Foi, portanto,  “depois” dessas horas de trevas e desse clamor angustiante que Jesus disse: “Tenho sede!” Teve sede de Deus e, depois, sede de água. Sofreu no espírito e no corpo.

“Vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse…” Em meio a tanto sofrimento, e pouco antes de morrer, o Salvador quis ainda “cumprir a Escritura”. Séculos antes, Davi tinha profetizado o sofrimento do  Messias e estes seus lamentos:

“Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca…”, e “… na minha sede me deram a beber vinagre” (Sl 22.15; 69.21).

Jesus, para cumprir esta Escritura, um detalhe profético, disse: “Tenho sede!” Os soldados romanos “embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca” (Jo 19.29). Jesus cumpriu a Escritura consciente e deliberadamente; os  soldados o fizeram inconscientemente, involuntariamente.

No Velho Testamento, há muitas e detalhadas profecias relativas ao nascimento, à vida e à morte de Jesus. Todas se cumpriram, literalmente. Veja, por exemplo: Mt 1.22-23; Lc 4.17-21; Mc 15.27-28; Jo 19.24. Pedro disse aos Israelitas reunidos no templo de Jerusalém: “Vós negastes o Santo e o Justo… Matastes o Autor da vida… Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas …” (At 3.14-18). Paulo, pregando em Antioquia,  disse a mesma coisa: “…os que habitavam em Jerusalém, e as suas autoridades, não conhecendo a Jesus, nem os ensinos dos profetas… quando o condenaram,  cumpriram as profecias…” (At 13.27-30). Temos aqui:

(a) O zelo de  Cristo para com as Escrituras.

(b) O cumprimento de mais uma profecia. “Mais  uma promessa de Deus se cumpriu. De fato todas elas têm que se cumprir;  não podem falhar. Glória ao Seu nome! Isto é uma consolação para todos os seguidores de Jesus, porquanto sabemos que todas as profecias concernentes a nós têm que se cumprir.” (C. Beggs ).

(c) Um exemplo da ação soberana e poderosa de Deus.  Ele cumpre seus propósitos, mesmo que, para tanto, tenha que usar homens ímpios e descrentes.

2. A humanidade de Jesus.

Contudo, Jesus  não disse “Tenho sede!” somente para cumprir uma profecia.  Ele teve sede de verdade,  muita sede.  Estava pendurado na cruz há horas, esvaindo-se em sangue, debaixo de sol quente (das nove até às doze horas, e agora outra vez, às quinze horas). Esta é a segunda vez, neste Evangelho, que Jesus externou essa necessidade física, muito humana (Jo 4.7). Outras passagens nos  evangelhos e nas epístolas dizem que ele teve fome (Mt 4.2),  cansou-se (Jo 4.6), e “foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hb 4.15). É muito importante pensar em tudo isto, porque a plena humanidade de Jesus é uma doutrina bíblica, e  tão importante quanto a da sua plena divindade.

A quinta palavra de Cristo na cruz, mais do que qualquer outra, revela  sua humanidade, e lembra-nos:

a) Jesus sabe, por experiência, o de que necessitamos, física e espiritualmente; ele passou pelo que nós passamos, exceto no pecado. “Convinha que,  em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote… Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados…” (Hb 2.17-18).

b) O exemplo de vida que o homem Jesus nos deixou  pode e deve ser seguido por seus discípulos, em todos os tempos.   Não podemos negligenciá-lo e, então, dizer: “Jesus era Deus. Eu não sou Deus.” Paulo recomendou aos filipenses: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus…” (Fl 2.5). E Pedro escreveu: “Cristo sofreu em vosso lugar,  deixando-vos  exemplo para seguirdes os seus passos…” (I Pe 2.21).

c) Jesus padeceu por nós, para salvar-nos do inferno.  Teve sede na cruz para livrar-nos da sede no inferno. Na  parábola  do Rico e Lázaro, o rico, “no inferno… clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! e manda a Lázaro  que  molhe em água  a ponta  do dedo e  me refresque  a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.23-24). Ora, o mesmo  Jesus  é  a “agua viva” que pode dessedentar-nos definitivamente, aqui e na eternidade. Ele disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba… Aquele que  beber da água que eu lhe der,nunca mais terá sede…” (Jo 4.10,14; 7.37).

Voce já bebeu desta “água”?  Já  se apropriou, pela fé, dos benefícios do sacrifício de Cristo na cruz?

Leias as outras mensagens desta série:

1. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
2. “Hoje estarás comigo no paraíso.”
3. “Mulher, eis aí teu filho…”
4. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
6. “Está consumado!”
7. “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”

 

Pr. Éber Lenz César (eberlenzcesar@gmail.com)

Igreja Presbiteriana das Graças, 3/5/92

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