Pages Navigation Menu

"Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês." 1 Pedro 3:15

Salmos para dias difíceis. III. Dia de decepção (Sl 40 e 41)

Salmos para dias difíceis. III. Dia de decepção (Sl 40 e 41)

Série: Salmos para dias difíceis.

III.  Dia de decepção 

(Salmo 40 e 41) 

Cedo ou tarde, de um modo ou de outro, todos temos decepções. Alguns não alcançam a coisa desejada, o ideal perseguido; outros vêem desfazer-se o namoro ou o noivado ou, pior, um casamento feito para durar “até que o morte os separe”. Há ainda as decepções com amigos e até mesmo com irmãos em Cristo. Uma pessoa em quem confiamos, a quem abrimos nosso coração, de repente, por algum motivo tolo, torna-se indiferente ou até mesmo volta-se contra nós. E o que dizer da atual conjuntura brasileira? Decepções e mais decepções com políticos, fazedores de promessas, inescrupulosos e corruptos…

O rei Davi também teve suas decepções. Nos Salmos 40 e 41 ele fala de instabilidade, pobreza, enfermidade, pecado e amigos que se viraram contra ele. Sua maior decepção parece ter sido com um certo amigo.  No v. 9 do Salmo 41 ele se queixa: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comida do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”. O calcanhar é mencionado simbolicamente em várias passagens bíblicas, com significados diferentes. Por sua posição no corpo, o calcanhar só pode ser visto por detrás; a expressão “levantar o calcanhar contra alguém”, então sugere traição; um procedimento ardiloso, indetectado senão tarde demais). 

Contudo, a despeito de todas as decepções, o Davi mostra-se feliz e exalta o Senhor, várias vezes nestes dois salmos: 

    • “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei…” (40.1). 
    • Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança…” (40.4). 
    • “São muitas, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado, e também os teus desígnios para conosco…” (40.5). 
    • “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim…”  (40.17). 
    • “O Senhor protege… o Senhor assiste…” (41.2-3). 
    • “Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, de eternidade para eternidade! Amém e amém!” (41.13). 

Aprendemos aqui que, mesmo quando os homens nos decepcionem, Deus permanece é fiel e nunca nos decepciona. Os homens mudam, viram a cabeça e o coração. Deus, porém, é o mesmo ontem, hoje e eternamente; seu amor é imutável! 

Deus não nos decepciona quando empobrecemos.

Davi fez esta confissão: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim…” (Salmo 40.17). O amor de Deus não se restringe aos ricos, obviamente;  e não se altera se estes perdem seus bens. Deus ama seus filhos por aquilo que eles são; e não pelo que eles possuem.

Davi entendia que Deus cuida ainda mais daqueles que cuidam dos outros: “Bem-aventurado o que acode o necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor protege e lhe preserva a vida, fá-lo feliz na terra” (Salmo 41.1-2). 

Entretanto, ao contrário disso, muitas das “amizades” deste mundo são oportunistas e interesseiras. O Filho Pródigo da parábola de Jesus, o que abandonou o pai e partiu para uma terra distante, cheio de dinheiro, atraiu muitos “amigos”. Com eles “dissipou todos os seus bens… Depois… começou a passar necessidade… mas ninguém lhe dava nada.” Que decepção! Quando, arrependido, tornou à casa do pai, que na estória representa o nosso Pai Celestial, este “o abraçou e beijou”, deu uma festa, e disse: “Comamos e regozijemo-nos porque este meu filho estava morto e reviver, estava perdido e foi achado” (Lucas 15.13-23). Nosso Pai Celestial não nos decepciona, jamais!

Deus não nos decepciona quando adoecemos.

Davi disse mais: “O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença tu lhe afofas a cama” (41.3). Que quadro! Deus como um enfermeiro nos assiste quando adoecemos e, por assim dizer, arruma a nossa cama e afofa o nosso colchão tornando-o o mais confortável possível. Ele não fica irritado conosco nem retém suas bênçãos quando, por motivo de enfermidade, nós, seus servos, interrompemos o trabalho que fazemos para ele na igreja e no mundo. Muitas vezes, quando adoecemos, pensamos que Deus se esqueceu de nós. Mas é bem o contrário. Pode até ser que ele esteja permitindo e usando a enfermidade para trazer-nos para mais perto dele e ter um pouco mais do nosso tempo.

Não é sempre assim com os nossos amigos e irmãos. Às vezes eles ficam empolgados conosco enquanto estamos em plena atividade; mas omitem-se ou mesmo distanciam-se de nós quando, enfermos, ficamos acamados. Foi o que Davi vivenciou. Ele disse: “Os meus amigos falam mal de mim… Se algum deles me vem visitar, diz coisas vãs… Peste maligna deu nele… Caiu de cama, já não há de levantar-se” (41.5-8). 

Deus não nos decepciona quando pecamos.

Davi sabia que podia orar: “Compadece-te de mim, Senhor; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (40.4). Precisamos aprender de uma vez por todas que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Se somos filhos de Deus e pecamos, perdemos temporariamente a nossa comunhão com Ele, e o sentimento de culpa nos deixa muito tristes. Pensamos até que Deus desistiu de nós. Mas não é assim. O amor de Deus por nós independe desses nossos fracassos. Como o Pai do filho pródigo da parábola, ele aguarda ansioso e cheio de amor pelo nosso retorno, nossa confissão. Quando o fazemos, “há júbilo no céu” (Lucas 15.20-24).

Não são assim muitos dos nossos amigos e irmãos. Se pecamos, olham-nos de lado, falam de nós para terceiros; e, se frequentamos uma igreja, perdemos o ambiente. É certo que nosso pecado causa transtorno na igreja, traz vergonha e prejuízo à comunidade; deve ser odiado e corrigido. Contudo, temos o direito de esperar que nos amem e nos ajudem a encontrar o caminho do arrependimento e da restauração. Foi o Jesus fez com a mulher adúltera afastada à sua presença, sem compaixão alguma, pelos escribas e fariseus  (João 8.1-11. Ver Gálatas 6.1; II Timóteo 2.24-26). 

É muito bom saber que Deus, nosso Pai, e Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor, permanecem conosco no dia da decepção. Eles nos amam e nunca nos decepcionam!

Éber Lenz César

eberlenzcesar@gmail.com

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *