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"Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês." 1 Pedro 3:15

Pastoral da pandemia

Pastoral da pandemia

Nesses tempos de pandemia, reclusão e uma profusão de Lives, alguns pregadores têm dito que essa aflição mundial é um castigo de Deus… Será? De fato há, na Bíblia, muitos exemplos de calamidades enviadas por Deus como castigo pelo pecado (Sl 106.29, etc.). Entretanto, há outros tantos exemplos de situações aflitivas que não foram enviadas por Deus, como castigo (os sofrimentos de José, de Jó e de Paulo, por exemplo). Esses sofrimentos foram permitidos e usados por Deus para cumprimento de seus bons propósitos. De minha parte, acho mais prudente entender assim a presente pandemia. Entendo também que toda maldade, doença, sofrimento e morte resultam do pecado de Adão e Eva, a chamada Queda, quando o homem  rebelou-se  contra Deus! (Gn 3). 

Então, não importa se essa pandemia foi enviada por Deus, por razão da presente corrupção da humanidade (como no diluvio), ou se foi permitida por ele com um propósito. Seja como for, Deus está nos dizendo alguma coisa… Precisamos ouvir!

A COVID-19 e as pragas do Egito

Alguns têm comparado a presente pandemia com as pragas do Egito. Comparação válida, se  com algumas distinções.   

As pragas do Egito foram anunciadas e enviadas por Deus, em sucessão, e, no geral,  cessaram em dia e hora determinados, em resposta às orações de Moisés.  Não podemos dizer o mesmo sobre a atual pandemia.  O que podemos dizer, com certeza, é que Deus soberanamente controlou as pragas do Egito e está no controle dessa nossa pandemia. Isso, certamente, nos conforta e acalma!

Um ponto de semelhança importante entre aquelas pragas e a presente pandemia é o já referido propósito divino. As pragas tiveram um propósito prático: libertar os hebreus de sua escravidão no Egito; e um propósito didático religioso: mostrar ao Faraó, aos egípcios e até mesmo aos hebreus que só há um Deus, Javé, o SENHOR. Isto porque os egípicios tinham muitos deuses, incluindo o próprio Faraó; e  os hebreus, vivendo entre eles por quatro séculos, contaminaram-se e chegaram a adorar aqueles deuses (Js 24.14).

De fato, quando Deus enviou Moisés de volta ao Egito para resgatar os hebreus, ordenou-lhe:

“[Dirás ao Faraó]: deixe ir da sua terra os filhos de Israel […]. Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas […]. Saberão os egípcios que eu sou o SENHOR quando  estender eu a mão sobre o Egito e tirar do meio deles os filhos de Israel” (Êx 7.2-5. Ver 7.17; 8.10, 22 etc.).

Estranho, não? Deus ordena ao Faraó que deixe ir a Israel, mas, ao mesmo tempo, lhe endurece o coração para que não deixe. Vamos esclarecer.

Nessa história, lemos várias vezes que “Deus endureceu o coração de Faraó″ (Êx 4.21). Obviamente, não faz sentido pensar que o Faraó era uma boa pessoa, homem de bom coração, totalmente disposto a libertar seus escravos hebreus. Só não o fez porque Deus, na última hora, endureceu seu coração! Não, não foi isso. O Faraó era pagão, soberbo, obstinado (Êx 5.2; 7.14). Seu coração já estava endurecido há muito. Sobrevindo uma praga, ele, pressionado e com medo, autorizava a partida dos hebreus; cessada a praga, voltava atrás, endurecia ainda mais o coração. Assim, mais vezes está escrito: “o coração de Faraó se endureceu” (7.13,22 etc), ou “ainda esta vez endureceu Faraó o coração e não deixou ir o povo” (Êx 8.32). Obviamente, Deus podia acabar logo com aquilo… e faria isto, eventualmente. Porém, soberanamente permitiu que o prepotente Faraó vivesse um pouco mais. Desse modo, por assim dizer, “Deus endureceu o coração de Faraó″. No contexto, isto significa: Deus permitiu que o Faraó continuasse resistindo. Deus estava usando o Faraó para o referido propósito: “Saberão os egípcios que eu sou o SENHOR!” (7.5). A seu tempo, Deus pôs fim a resistência do grande, poderoso Faraó, fazendo-o perecer no Mar Vermelho com todo o seu exército (Êx 14). E assim,

“Deus foi glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos […]. Viu Israel o grande poder que o Senhor exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao Senhor e confiou no Senhor e em Moisés seu servo” (Êx 14.18 e 31).

Aplicação.

O significado de tudo isso para a nossa presente situação, individual, comunitária, local e mundial é evidente. Se nossa consciência nos acusar, se acharmos que estamos sendo castigados por algum pecado ou por negligência espiritual, lembremo-nos de que Jesus Cristo já pagou por nossos pecados. Se o álcool gel purifica nossas mãos, “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (I Jo 1.7). Só temos que admitir e confessar. Seja o nosso coração como um gel, não como uma pedra. 

Obviamente, Deus está  nos dizendo algo nessa crise! Precisamos ouvir! Ouvir e atender! Não vamos dar uma de Faraó, nem proceder como os egípcios da época. “Por que endureceríeis o coração, como os egípcios e Faraó […]?” (I Sm 6.6). Em tempos posteriores, Israel também endureceu o coração, e sofreu graves consequências. Daí a advertência aos judeus do Novo Testamento: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto […]” (Hb 3. 7). A referência é à murmuração de Israel no deserto, quando lhes faltou água… (Êx 17.1-7).

Certamente, pela graça de Deus, não somos como o Faraó: pagãos, idólatras, coração obstinado. Porém, se durante uma “praga”, nós nos humilhamos, nos submetemos à vontade do Senhor, oramos mais, lemos mais Bíblia, recorremos à igreja etc., porém, passada a aflição, negligenciamos essas práticas e os valores cristãos, estamos endurecendo o coração tal como Faraó.

Deus está nos dizendo que dinheiro e bens, diplomas e trabalho, sucesso e status, e o nosso próprio ego, por necessários e importantes que sejam, não são deuses, não podem ser nossas prioridades.

Parece que muitos, ao redor do mundo, estão descobrindo, a duras provas, que estes e outros “deuses” são falsos, e não valem nada numa situação como a que estamos vivenciando. Nações poderosas, pagãs, budistas, muçulmanas, católicas e protestantes estão amargando milhares de mortes, e colapso em vários setores, principalmente na saúde e na economia. “Faraós” modernos estão sendo humilhados… No Brasil, nossos governantes, auto-suficientes,  parecem perdidos, sem saber o que fazer, senão discutir e brigar entre si…

Por outro lado, muitos estão mais sensíveis à fé; estão se voltando para Deus. Têm-se falado muito sobre as possíveis mudanças que ocorrerão nas igrejas locais e mesmo nas denominações cristãs. Oremos para que, da presente pandemia, resulte um genuíno e duradouro avivamento espiritual! Que ao final, possamos todos cantar como Moisés, depois das pragas, depois do Êxodo, depois da passagem pelo Mar Vermelho:

“Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente […]. O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus […]” (Êx 15.1,2).

Pr. Éber Lenz César

Igreja Sal da Terra Brasília, 17/05/2020.

(eberlenzcesar@gmail.com)

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