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"Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês." 1 Pedro 3:15

“Senhor, se estivesses aqui…” ( Jo 11.1-45)

“Senhor, se estivesses aqui…” ( Jo 11.1-45)

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Os irmãos Marta, Maria e Lázaro, de Betânia, eram muito amigos de Jesus.  De fato, “Jesus amava Marta, Maria e Lázaro” (v.5). Betânia ficava a cerca de três quilômetros de Jerusalém, na Judeia (v.18). Quando em Jerusalém, Jesus geralmente hospedava-se na casa dessa família. 

Aconteceu que Lázaro adoeceu gravemente. Suas irmãs mandaram um mensageiro dizer a Jesus: “Senhor, seu amigo querido está muito doente” (v.3, NVT). Ou, como lemos na versão Revista e Atualizada: “Senhor, está enfermo aquele a quem amas”. Jesus estava numa outra cidade, também chamada Betânia, do outro lado do Jordão, na Pereia, a uns 40 km, um dia de viagem a pé. Marta e Maria esperavam que ele deixaria o que estivesse fazendo e viria logo para curar seu irmão. 

Contudo, mesmo em se tratando de um pedido urgente, de amigos tão especiais, Jesus não se mandou às pressas para a Betânia, da Judeia. Permaneceu onde estava por mais dois dias (vs.5-6). Sabemos, por esta e outras passagens, que ele não se conduzia pelo que os outros esperavam que ele fizesse. Dizia e fazia somente o que o Pai lhe ordenava, e ”no tempo de Deus” (Jo 5.19; 12.49).  Nas bodas de Caná, por exemplo, ele não se deixou pressionar nem mesmo por Maria, sua mãe… (João 2.3-4).

Por isso, quando Jesus chegou a Betânia, da Judeia, Lázaro já estava morto há 4 dias (v.17). Teria morrido pouco depois que o mensageiro partiu para dizer a Jesus que ele estava enfermo. O que aconteceu depois foi fantástico e nos ensina lições preciosas. 

Por que ou para que? 

Cedo ou tarde, todos enfrentamos problemas, sofremos injustiças ou perdas. A pior delas, a mais sofrida, é a morte de um familiar ou amigo querido. Até mesmo os cristãos mais experientes e dedicados ficam abalados e questionam: “Por que, Senhor?” Compreensível. Porém, seria mais apropriado perguntar “Para que, Senhor?” Quando soube da enfermidade de Lázaro, Jesus logo disse aos seus discípulos: “A doença de Lázaro não acabará em morte. Ela aconteceu para a glória de Deus, para que o Filho de Deus receba glória por meio dela” (v.4). Posteriormente, disse-lhes: “Lázaro está morto. E, por causa de vocês, eu me alegro por não ter estado lá, pois agora [com o que farei em seguida] vocês vão crer de fato. Venham, vamos até ele” (v. 15). Deus, soberanamente, permitiu que Lázaro adoecesse e viesse a óbito. Certamente foi algo muito inesperado e sofrido mas Deus usou para sua glória, para a glória de Jesus e para fortalecer a fé não só daquela família, mas de muitos outros.

Sabemos que Marta e Maria criam em Jesus. Elas mandaram chamá-lo porque acreditavam que ele poderia curar seu irmão. Quando Jesus chegou, uma e outra lhe disseram, em momentos diferentes: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido […]”.  Se estivesse presente, na hora, antes de Lázaro morrer? Logo, elas descobririam que, para Jesus, a morte de Lázaro não seria impedimento, não faria diferença! Então, a fé daquelas mulheres e dos discípulos de Jesus seria fortalecida, muito fortalecida. E “muitos do que tinham vindo visitar Maria, creram nele [ou seja, em Jesus]” (v.45). 

Nossos sofrimentos têm causa e efeito. Não sendo casos específicos, a causa geral é relatada no Gênesis: a Queda, a entrada do pecado na história da humanidade. O efeito, é o uso soberano, sábio, amoroso e poderoso que Deus faz dos nossos problemas e sofrimentos. O “Por que?” parece inevitável, mas o “Para que?” É mais sábio e confortador. Nem sempre teremos respostas, mas devemos confiar que, se Deus permitiu, ele usará tudo para sua glória e para o nosso bem. Um dos textos mais conhecidos do apóstolo Paulo cabe aqui perfeitamente: “Sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com o seu propósito…” (Rm 8.28).

A Cristologia precede a Escatologia.

Como vimos, tanto Marta como Maria disseram a Jesus: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Marta disse também: “Mas sei que, mesmo agora, Deus lhe dará tudo que pedir” (v.12). Tudo o que? Ela mesma não sabia. Foi uma declaração vaga, imprecisa, um voto de confiança. Mas, então, Jesus lhe disse o que estava para acontecer: “Seu irmão vai ressuscitar”. “Como assim? Isso é fantástico!”, ela podia ter dito, saltando de alegria. Mas não. Ainda chorosa, retrucou: “Sim, eu sei. Ele vai ressuscitar quando todos ressuscitarem, no último dia.” Mulher interessante. Sabia pelo menos um pouco da chamada Escatologia, a doutrina das últimas coisas. Como, se esse capítulo da teologia ainda não estava bem definido, se Jesus não tinha pregado ainda o seu sermão profético (Mt 24; Jo 14)? Mais importante ainda: Jesus, obviamente, não tinha morrido e ressuscitado, vencendo a morte! Saulo, o futuro apóstolo Paulo, ainda não tinha escrito o grande capítulo da ressurreição, I Co 15, e outros textos sobre a ressurreição dos mortos… Onde Marta aprendeu e como chegou a crer nestas promessas? Não sabemos. Entretanto, mesmo assim doutrinada, ela não entendeu ou não creu de imediato no que Jesus lhe estava dizendo: “Seu irmão vai ressuscitar hoje!” 

Na sequência, Jesus deixou de lado a Escatologia de Marta, e lhe deu uma aulinha de Cristologia. Ela precisava saber mais acerca da natureza e do poder do seu amigo Jesus! Saber e confessar! Jesus lhe disse:

“’Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, viverá, mesmo depois da morte. Quem vive e crê em mim jamais morrerá. Você crê nisso, Marta?’. ’Sim, Senhor, respondeu ela. ‘Eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que veio ao mundo da parte de Deus’” (vs. 25-27).

Para dizer o mínimo, significa que o poder da vida estava e está nas mãos do Senhor Jesus! Conquanto estivesse a ponto de ressuscitar Lázaro fisicamente, Jesus, nestes versículos, refere-se à vida espiritual, ainda mais importante que a vida física. A ressurreição de Lázaro, algo excepcional, seria um dos maiores milagres de Jesus! Fantástico! Porém, milagre maior e ainda mais fantástico é a ressurreição espiritual ou conversão de pecadores. Cerca de 20 anos mais tarde, o apóstolo Paulo escreveria aos Cristãos de Éfeso: “Ele [Cristo] vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados […]” (Ef 2.1). 

Ainda hoje, teólogos e crentes bem doutrinados, esperançosos quanto ao que o Senhor fará “no último dia”, não entendem ou não creem que ele  pode fazer e faz milagres no presente. E quantos! Gostaríamos que ele também  ressuscitasse mortos, nossos mortos, mas, se ele não o faz hoje em dia, saibamos, com certeza, que o fará “no último dia”. É o que a Escatologia nos ensina e garante. Por agora, que maravilha! Seu milagre maior, o que salta para a eternidade, é a ressurreição espiritual, a salvação de pecadores como nós. Na teologia sistemática, a Cristologia precede a Escatologia. Precisamos saber quem é Jesus, crer nele, experimentar seu amor, seu poder, seu conforto, e, então, aguardar seu retorno glorioso! Retorno físico, digo.

Jesus está sempre presente!

Volto à história da ressurreição de Lázaro. Cito, outra vez, o que disseram suas irmãs naquele dia triste: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido…”. Quando adoecemos ou quando adoece um dos nossos queridos, ou quando estamos com problemas, tristes, desanimados, ansiosos, deprimidos, anelamos pela presença de um médico, de um conselheiro, de um amigo… Quando não, deveríamos! Precisamos. Marta e Maria desejaram muito que Jesus estivesse com elas naquele dia de morte e sofrimento. Sabiam que ele as amava e seria sensível à sua dor. De fato, “Quando Jesus viu Maria chorar, e o povo também, sentiu profunda indignação e grande angústia”. Indignou-se com a morte, com aquele resultado trágico da pecaminosidade humana? A versão Revista e Atualizada diz que “ele se agitou no espírito e se comoveu”. O v. 35, um dos mais curtos e significativos de toda a Bíblia, diz que “Jesus chorou”.

Aquelas irmãs sabiam também, como já dissemos, que Jesus podia curar seu irmão, se quisesse. Ou seja, as coisas teriam sido diferentes, se Jesus estivesse presente! Lamentaram sua ausência, seu suposto atraso… Mas Jesus nunca está atrasado, posto que age sempre no kairós, o tempo de Deus. As coisas ainda seriam diferentes, e como! 

Jesus fez uma oração, chegou à entrada do túmulo de Lázaro e gritou: “Lázaro, venha para fora! E o morto saiu […]” (vs. 43-44). Foi demais! Muito, muito mais do que Marta e Maria ou qualquer um ali poderia ter imaginado! Isto me lembra algo que o apóstolo Paulo escreveu aos Efésios, referindo-se ao poder de Deus e da oração:

“Toda a glória seja a Deus que, por seu grandioso poder que atua em nós, é capaz de realizar infinitamente mais do que poderíamos pedir ou imaginar” (Ef 3.20).

Mas, o que eu quero frisar aqui é que Lázaro, Marta e Maria viveram numa época em que a presença de Jesus era física e limitada no tempo e no espaço. Nós vivemos numa época em que o Cristo ressurrecto e glorificado é (outra vez) onipresente, e, pelo Espírito, habita em todos quantos lhe abrem a porta do coração (Ap 3.20; I Co 6.19). Suas últimas palavras aos seus seguidores, antes de subir de volta aos céus, foram: ”Estou sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28.20). 

Sabemos que Jesus está presente; sabemos que ele nos ama e é sensível aos nossos sofrimento; sabemos que ele tem poder e pode fazer “infinitamente mais do que pedimos ou pensamos”. Mas ele faz o que o Pai lhe diz para fazer, não necessariamente o que nós queremos que ele faça. A oração não é uma varinha de condão; não é um meio de pressionarmos a Deus e a Cristo a fazerem o que achamos que deve ser feito ou o que queremos que ele faça. 

Jesus ressuscitou Lázaro, mas permitiu que Herodes degolasse seu parente e amigo João Batista; posteriormente permitiu que Estêvão fosse apedrejado e que centenas ou milhares de seus seguidores fossem martirizados (Hb 11.35-38). E não os ressuscitou!  Cristãos muito amados de Deus e de Cristo morrem hoje por Covid e outras doenças, ou em acidentes, e não são ressuscitadas… Não sabemos porque, mas confiamos. O que quer que nos aconteça ou aconteça aos nossos queridos, será sempre “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” para nós! 

Falar é fácil, difícil é crer, confiar, descansar… Sim. Mas a presença poderosa, amorosa e sensível de Jesus faz toda a diferença. Como Paulo, podemos dizer, com humildade, mas seguros: “Posso todas as coisas por meio de Cristo, que me dá forças” (Fp 4.13)

Éber Lenz César.  Brasília 13/08/2021. eberlenzcesar@gmail.co,

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